O Tesouro Direto é o programa que permite a qualquer pessoa física comprar títulos da dívida do governo federal pela internet, com aplicação inicial em torno de trinta reais. Criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, ele tirou o investimento em títulos públicos das mãos exclusivas de bancos e grandes investidores.
A mecânica é simples: você empresta dinheiro ao governo e recebe de volta com juros. Como o emissor é o próprio Tesouro Nacional, que arrecada tributos e emite a moeda do país, esses papéis são considerados os de menor risco de crédito disponíveis no mercado brasileiro.
Os títulos disponíveis
Apesar da variedade de nomes, existem apenas três lógicas de remuneração. Entendidas elas, a escolha fica direta.
Tesouro Selic
Pós-fixado, acompanha a taxa básica de juros. É o único com oscilação praticamente nula no curto prazo, o que o torna a escolha natural para reserva de emergência e para objetivos sem data definida. Tem liquidez diária garantida pelo Tesouro.
Tesouro Prefixado
A taxa é travada no momento da compra. Se você comprar a 11% ao ano e levar até o vencimento, receberá exatamente 11% ao ano, independentemente do que acontecer com a Selic. É uma aposta de que os juros vão cair: se caírem, você travou uma taxa boa. Se subirem, você perdeu a oportunidade de ganhar mais.
Tesouro IPCA+
Híbrido, paga a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa fixa. Um título IPCA+ 6% garante ganho real de 6% ao ano acima da inflação, se levado ao vencimento. É o instrumento mais adequado para objetivos de prazo longo, como aposentadoria, porque protege o poder de compra por definição.
| Título | Remuneração | Melhor para | Risco se resgatar antes |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | Selic | Reserva de emergência, curto prazo | Praticamente nulo |
| Tesouro Prefixado | Taxa fixa | Cenário de queda de juros | Alto |
| Tesouro IPCA+ | IPCA mais taxa fixa | Aposentadoria, prazo longo | Alto |
| Versões com juros semestrais | Idem, com cupom | Quem precisa de renda periódica | Alto |
Títulos com juros semestrais
Algumas versões pagam cupons a cada seis meses, em vez de acumular tudo até o vencimento. Servem para quem precisa de fluxo de renda periódico, mas têm uma desvantagem relevante na fase de acumulação: cada cupom sofre imposto de renda na hora do pagamento, o que interrompe o efeito dos juros compostos sobre o valor tributado.
Para quem está construindo patrimônio e não precisa da renda agora, as versões sem cupom costumam ser mais eficientes.
Custos envolvidos
- Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano, cobrada semestralmente. O Tesouro Selic é isento sobre o valor que exceder o limite estabelecido pelo programa para aplicações de menor porte, regra que favorece o pequeno investidor.
- Taxa da corretora: a maioria das instituições zerou essa cobrança. Se a sua ainda cobra, vale trocar.
- Imposto de renda: tabela regressiva, de 22,5% para resgates em até 180 dias a 15% acima de 720 dias, incidente apenas sobre o rendimento.
- IOF: só incide em resgates com menos de 30 dias, em escala decrescente.
Marcação a mercado: o ponto que gera mais dúvida
Títulos prefixados e IPCA+ têm o preço reavaliado diariamente conforme a expectativa de juros do mercado. Se os juros sobem depois da sua compra, o preço do seu título cai. Se caem, ele sobe.
A marcação a mercado só vira perda de verdade se você vender antes do vencimento. Levando o título até o fim do prazo, você recebe exatamente a taxa contratada na compra, independentemente do que o preço fez pelo caminho.
É por isso que o Tesouro Selic é o único indicado para reserva de emergência. Nos outros, o momento do resgate importa.
Como escolher na prática
- Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento: Tesouro Selic, sem discussão.
- Objetivo com data marcada: escolha um título cujo vencimento seja próximo dessa data, evitando o risco de resgate antecipado.
- Aposentadoria e prazos acima de dez anos: Tesouro IPCA+ garante ganho real e elimina o risco de a inflação corroer o esforço de décadas.
- Aposta em queda de juros: Tesouro Prefixado, com a consciência de que é uma posição direcional e pode ficar negativa no caminho.
Perguntas Frequentes
O Tesouro Direto tem cobertura do FGC?
Não, e não precisa. O Fundo Garantidor de Créditos protege depósitos em instituições financeiras contra a quebra do banco emissor. No Tesouro Direto o devedor é o governo federal, considerado o risco soberano do país, patamar acima de qualquer banco privado. Não há garantia adicional porque não há emissor mais sólido para garantir.
E se a minha corretora quebrar?
Os títulos ficam registrados em seu CPF na B3, não no balanço da corretora. Em caso de falência da instituição, você solicita a transferência da custódia para outra corretora habilitada. O patrimônio é seu e permanece identificado, o que torna esse risco operacional, não de perda do investimento.
Posso vender o título antes do vencimento?
Pode. O Tesouro Nacional garante a recompra diária pelo preço de mercado do dia. A ressalva é justamente essa: o preço é o de mercado, que pode ser maior ou menor que o esperado, conforme a marcação a mercado no momento da venda.
Qual o melhor título para começar?
Para o primeiro aporte, o Tesouro Selic reúne as melhores características: liquidez diária, oscilação mínima, valor de entrada baixo e nenhuma necessidade de acompanhar cenário de juros. Ele permite entender o funcionamento do programa sem que o momento da compra tenha impacto relevante no resultado.