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CDI, Selic e IPCA: o que significam os três índices que definem seus investimentos

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Abra o extrato de qualquer aplicação de renda fixa e você vai encontrar uma dessas três siglas. O CDB que rende 110% do CDI. O Tesouro Selic que acompanha a taxa básica. O título IPCA+ 6% que promete inflação mais um prêmio. Sem entender o que cada índice representa, é impossível comparar produtos de forma honesta.

A boa notícia é que os três se conectam de forma bastante lógica. Uma vez entendida a relação entre eles, boa parte do vocabulário do mercado deixa de parecer código.

Selic: a taxa que ancora todas as outras

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, em reuniões cujo calendário é divulgado com antecedência.

O nome vem de Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a estrutura em que os títulos públicos federais são negociados. Na prática, a Selic é o juro que o governo paga para tomar dinheiro emprestado no curtíssimo prazo, e por isso funciona como piso de referência para todo o resto do sistema financeiro.

O Banco Central usa a Selic como principal instrumento para controlar a inflação. Quando os preços sobem além da meta, o Copom eleva a taxa: crédito fica mais caro, consumo desacelera, pressão sobre preços diminui. Quando a economia esfria demais, o movimento é o inverso.

Selic meta e Selic efetiva

A taxa anunciada pelo Copom é a Selic meta. A Selic efetiva, ou over, é a taxa média praticada nas operações diárias entre instituições com lastro em títulos públicos. Elas ficam muito próximas, com diferença geralmente de centésimos, e é a efetiva que remunera o Tesouro Selic.

CDI: o primo próximo da Selic

CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Bancos são obrigados a fechar o dia com caixa positivo, e para isso emprestam dinheiro uns aos outros por prazos de um dia útil. A taxa média dessas operações, calculada e divulgada pela B3, é o CDI.

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Selic, CDI e IPCA são as três réguas que medem qualquer investimento no Brasil. Foto de Markus Spiske via Unsplash.

Como esses empréstimos entre bancos competem diretamente com a alternativa de aplicar em títulos públicos, o CDI acompanha a Selic de perto, ficando historicamente uns poucos centésimos abaixo dela.

Índice Quem define O que mede Onde aparece
Selic Copom, a cada 45 dias Juro básico da economia Tesouro Selic, crédito, poupança
CDI B3, diariamente Juro dos empréstimos entre bancos CDB, LCI, LCA, fundos DI
IPCA IBGE, mensalmente Inflação oficial ao consumidor Tesouro IPCA+, debêntures, aluguéis

Por isso o CDI virou a régua da renda fixa privada. Quando um CDB anuncia 110% do CDI, ele promete pagar 10% a mais que a taxa de referência. Se o CDI acumular 12% no ano, esse CDB rende aproximadamente 13,2% no mesmo período, antes do imposto de renda.

IPCA: a inflação que corrói o seu dinheiro

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo é calculado mensalmente pelo IBGE e mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumida por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em treze regiões metropolitanas do país.

Ele é a inflação oficial do Brasil e serve de base para a meta perseguida pelo Banco Central. É também o índice que determina se o seu investimento gerou ganho real ou apenas nominal.

Ganhar 12% em um ano em que a inflação foi de 5% significa um ganho real de aproximadamente 6,7%. Ganhar 12% em um ano de inflação de 13% significa perder poder de compra, mesmo com o saldo da conta tendo aumentado. Rendimento nominal engana, rendimento real não.

Como os três se relacionam

A cadeia funciona assim: a inflação medida pelo IPCA pressiona o Banco Central, que responde ajustando a Selic. A Selic puxa o CDI, que por sua vez define quanto rendem os produtos de renda fixa privada oferecidos pelos bancos.

É por isso que uma decisão do Copom repercute imediatamente no rendimento do seu CDB, mesmo que o produto não mencione a Selic em lugar nenhum do contrato.

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A inflação define se o seu rendimento foi ganho real ou apenas nominal. Foto de Jakub Żerdzicki via Unsplash.

Como usar os índices para comparar produtos

  1. Converta tudo para a mesma base. Um produto a 110% do CDI e outro a Selic mais 0,5% só podem ser comparados depois de estimados os dois em percentual ao ano.
  2. Desconte o imposto de renda. CDB e Tesouro seguem a tabela regressiva, de 22,5% a 15%. LCI e LCA são isentas para pessoa física, o que muda bastante a comparação.
  3. Compare sempre o líquido. Uma LCA a 95% do CDI isenta pode superar um CDB a 110% do CDI tributado, dependendo do prazo.
  4. Verifique o ganho real. Subtraia a inflação esperada para saber quanto de poder de compra você efetivamente ganhou.

Perguntas Frequentes

Por que o CDI é sempre um pouco menor que a Selic?

Porque as operações entre bancos têm lastro em títulos públicos e concorrem com a aplicação direta nesses títulos. Essa concorrência mantém as duas taxas coladas, com o CDI historicamente uns poucos centésimos de ponto percentual abaixo da Selic efetiva.

Existe investimento que rende mais que 100% do CDI sem risco adicional?

Rendimento acima do CDI sempre embute algum risco a mais, normalmente de crédito, quando o emissor é menos sólido, ou de liquidez, quando o dinheiro fica preso por mais tempo. Bancos menores pagam mais justamente porque o risco de crédito é maior, ainda que o Fundo Garantidor de Créditos cubra até 250 mil reais por CPF e instituição.

O IPCA reflete a minha inflação pessoal?

Dificilmente de forma exata. O IPCA usa uma cesta média de consumo, e o seu padrão de gastos é particular. Quem gasta proporcionalmente mais com educação, saúde ou combustível pode enfrentar inflação pessoal bem diferente do índice oficial em determinados períodos.

Quando a Selic cai, devo tirar dinheiro da renda fixa?

Não como reação automática. Selic em queda reduz o rendimento dos pós-fixados, mas valoriza títulos prefixados e IPCA+ comprados antes do ciclo de corte, por efeito da marcação a mercado. A decisão correta depende do prazo do seu objetivo, e não do movimento isolado da taxa.

Foto de perfil de Rodrigo Antunes
Sobre o autor

Rodrigo Antunes

Analista de investimentos e educador financeiro com mais de 10 anos de experiência no mercado de capitais brasileiro. Especialista em renda fixa, fundos imobiliários e planejamento financeiro pessoal, dedica-se a traduzir o vocabulário do mercado para quem está começando a investir. Editor-chefe do Investidor na Prática.

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